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MELIHAH, A FADA-MOURA DE DAROCA

Juan Dominguez Lasierra é que faz menção a essa
lenda, nos proporcionando todo tipo de detalhe histórico. Melihah é talvez a
mais famosa fada-moura aragonesa.
Sua história passou-se no ano de 1110 da Era
Cristã. Havendo sido morto Mostain, o príncipe mais rico dos árabes da Espanha,
o qual havia colocado a principal força de suas tropas em Daroca, sucedeu-lhe
seu filho Admad-Dola e depois deste, Abén-Gama. Esse último, titulou-se rei de
Daroca e imperava como dono absoluto de toda a comarca.

Com a imaginação cheia de sonhos e o coração
cheio de sentimentos de grandeza, achava-se um dia acompanhado do rico mouro
Abul-Zuleika, contemplando as alamedas do castelo. A tarde morria, e o sol
refletindo seus últimos raios nos encaixes dos azulejos da pitoresca torre de
Zoma, lançando fulgurações de ouro, anil e púrpura; as sombras dos murros e das
torres se projetavam majestosas sobre o sopé do vizinho monte e à frente
serpenteava o rioJiloca como uma cinta de prata sobre as esmeraldas de sua
deliciosa planície fértil.
De repente, Abén-Gama, como excitado por uma
idéia feliz, disse ao seu acompanhante:
-"Zuleika, que bom seria construir um novo e
belo palácio para que eu possa compartilhar com uma linda princesa!"
-"Belo sonho, que pode ser realizado", retrucou
Zuleika, e prosseguiu:
-"Eu mesmo posso consegui-la para o Senhor,
pois em minhas viagens aos mais remotos países, já conheci as mais belas e
formosas donzelas que se possa imaginar!"
-"Pois então vá e traga-me um lírio de Yemen,
ou uma rosa de Alexandria, ou ainda um branco lírio da Arábia, pois te juro por
Alá que construirei um palácio digno de sua beleza e a desposarei."

Zuleika então se põe em marcha até a Arábia.
Enquanto isso, o rei torna seu sonho realidade, iniciando a construção de seu
palácio. Oito colunas graciosas, unidos em caprichosos arcos de ferradura,
sustentavam uma airosa cúpula, toda pintada com estrelas de ouro. No pátio havia
uma porta secreta que dava para um corredor subterrâneo, que passava por baixo
do castelo, cruzava o vale e ia comunicava-se com as fortalezas de um outro
penhasco. Cedro, damasco e graciosas palmeiras enfeitavam os jardins.

Tudo pronto, chega então o rico mercador
Zuleika com a tal sonhada donzela prometida:
-"Aqui tens, Senhor", fala ele, "uma rosa que
trouxe do Oriente. É uma pérola da Arábia que a aurora nutriu com seu rocio, e a
luz das estrelas deu brilho a suas pupilas."
-"Levanta-te", disse Abén-Gama com interesse,
"levanta o véu que cobre suas perfeições".
-"Se chama Melihah e é tão bonita quanto seu
nome", disse Zuleika, levantado o lenço que ocultava seu rosto.
-"Alá é grande!", exclama Abén-Gama, cheio de
espanto, "Eu adoro o Profeta, porque me enviou essa beldade para consolo de meus
dias."
Muitas luas se passaram, mas a doce e bela
Melihah não encontrava alegria no palácio dourado de Abén-Gama, pois não amando
o seu dono, seu coração não podia fingir amores.

Certo dia então, se prepara para combater
Alfonso o Batalhador. Nos campos de Aranzuel, onze reis haviam rendido seu cetro
ao heróico conquistador. Abén-Gama com medo de também perder seu reino, corre
para auxiliar os vencidos, porém já é tarde. O Batalhador com seus paladinos
seguem sua marcha triunfal pelas margens do rio Jalão. Bem perto, se rendem os
castelos de Cubel, Villafeliche, Langa e Codos. Porém, o valente e astuto mouro,
embora desesperado, não voltaria sem sua presa. Jaime, o gentil cavaleiro, e
descendente ilustre da Casa dos Diez de Aux, e que ostenta em seu escudo sobre
um campo de margaridas a estrela de ouro de dezesseis pontas, foi surpreendido e
caiu nas garras do leão de Daroca. Sem cavalo e sem lança, despojado de seu
escudo, é preso na masmorra do castelo.

A bela Melihah, que o havia visto sendo
carregado, se apaixonou por sua barba grisalha, seu rosto harmonioso e seus
olhos negros.
O cavaleiro da estrela de ouro gemia na
masmorra, sem que seu pai, D. Juan Diez de Aux, conseguisse resgatá-lo, mesmo
tendo oferecido ao rei mouro enormes somas. Abén-Gama o havia sentenciado a
morte e deveria ser executado, colocado seu corpo nas alamedas do castelo, para
assombro e terror dos cristãos.
Melihah, todas as tardes, quando o seu dono e
rei mouro se ausentava, saia do palácio e ia se comunicar com o prisioneiro.
Naquela tarde, entretanto, se apressou para avisar sofre o triste fim que o
esperava.
-"Nazareno", exclama, "triste sorte te aguarda,
não queria dizê-lo, mas meu tirano dono está disposto a executá-lo amanhã pela
manhã. Porém eu te amo e lhe prometo tira-lhe essa noite da prisão, se
prometeres que quando vieres com os teus para conquistar o castelo, me livres
das garras desse tirano que me mantém cativa em seu palácio e me aceitares como
esposa."
-"Bela Melihah, eu a amo também. Eu sou livre e
tu deves ser do mesmo modo, entretanto não posso tomá-la como esposa, pois minha
religião proíbe o fruto de cercado alheio. Terei que afogar no peito esse amor
que me enlouquece."
-" Independentemente de tudo, essa noite serás
livre". Ditas essas palavras, a jovem moura, igual a um afada que vaga pelo
crepúsculo, se retirou para seu palácio.

A noite, como uma virgem enlutada, envolve o
mundo com seu manto de estrelas. Em seguida, o exército de D. Alfonso o
Batalhador chega as portas da antiga Calat-Darwaca. Os sentinelas dão a voz de
alerta e todos os soldados de Abén-Gama se colocam em movimento. Por todas as
partes se ouvem clarinetes e gritos de mando dos chefes.
Melihah aproveitando toda a confusão, toma a
chave da masmorra e, envolta pelas sombras da noite, desce ao subterrâneo e por
uma porta secreta, liberta seu amor prisioneiro. Quando Abén-Gama, no dia
seguinte, fica sabendo do desaparecimento de Jaime, se morde de raiva. Esse, já
havia se juntado às tropas do Batalhador e tinha grande esperança de apoderar-se
do castelo, pois conhecia todos os seus recintos e encruzilhadas, e assim se
manifestou a seu rei D. Alfonso, escolhendo a noite como o momento mais propício
para o ataque. Os mouros, por sua vez, estavam dispostos a defender-se de todos
os modos. O choque ia ser terrível e o combate desesperado.

Chegou a noite. Algumas horas antes do ataque,
um mouro chamado Murid Omed, que também havia se apaixonado da moura, vendo-se
frustrado suas esperanças e sedento de vingança, se apresentou a Abén-Gama, e
com muito mistério lhe disse:
-"Guarde bem meu Senhor a sua favorita, não
deixe que essa noite a roube algum cachorro cristão, pois é infiel e traidora!"
-"O que escuto?", exclamou, assustado,
Abén-Gama.
-"Eu a vi", disse Omed, "com o prisioneiro
cristão, facilitando sua fuga e cheia de amor".
-"Grande Alá" Eu te juro pelo Profeta, que tal
traição será cobrada com sangue", disse e cheio de cólera se encaminhou para seu
palácio.
No dourado salão está a amável Melihah rodeada
de suas lindas fadas. Não lhe infunde terror o ataque sangrento que se avizinha,
porque seu coração está cheio de esperanças, espera o amante de seus sonhos que
lhe dará a liberdade prometida. Por isso, havia vestido o traje mais precioso e
se havia adornado com seus melhores braceletes, colares e cintos e as harpas e
cítaras tocavam, enquanto ela dançava tecendo giros caprichosos.
-"Vem Melihah", disse o rei mouro. E ela o
segue como uma serva tímida. Um escravo mouro está na frente com um lampião.
Descendo ao pátio, Abén-Gama disse:
-"Afkut, abre". E a porta secreta do
subterrâneo se abre misteriosamente. Baixam uma pedra e chegam onde há um poço.
A jovem está com o semblante amarelo como a cera. O rei a olha e o escravo
desembainha uma comprida espada, que relampeja com sinistro brilho, e então
Melihah exclama, cheia de terror:
-"Ai de mim! O que vais fazer?"
-"Sois pérfida, sois traidora," disse o sombrio
Abén-Gama," e quando uma favorita é infiel, sua traição só se paga com sangue".
A moura foi atravessada, e quando seu corpo,
vertendo um rio de sangue pela ferida aberta em seu peito, caia ao fundo do
poço, um ai, foi dito como o eco de um conjuro.

Quando Abén-Gama e seu escravo saíram do
subterrâneo, caíram em poder de Jaime e de vários de seus soldados, que,
penetrando por uma porta falsa da fortaleza, chegaram até o pátio das armas. O
ataque havia começado, e naquele momento se desenrolava com todo o furor uma
horrível batalha. Jaime e seus homens fazem prisioneiro Abén-Gama e tomam o
castelo.
Assim se rendeu Daroca no ano de 1122, graças
ao valor e astúcia do cavaleiro da estrela de ouro, cujos descendentes, para
perpetuar sua memória, gravaram o escudo de suas armas na Porta Baixa da cidade.
Quando o heróico Jaime soube o que aconteceu com Melihah, uma melancolia
profunda tomou conta de sua alma, e se conta que todos os dias, ao anoitecer,
subia ao castelo e passava longas horas sentado na boca do subterrâneo.

Conta-se que desde o dia em que morreu o
cavaleiro Jaime, todas as noites, do poço onde está a encantada, sai a moura
vestida de branco, com uma luz na mão, e vaga pelas muralhas do castelo em busca
de seu amante.

RITUAL
Melihah é a fada apaixonada que está associada
ao signo de Áries que também é um eterno apaixonado. Mas, independentemente de
seu signo, você pode usar esse ritual para atrair muito amor para sua vida.

FEITIÇO DO CHÁ DO AMOR
O chá do amor pode ser preparado em uma
segunda, terça ou sexta-feira de lua crescente. Você precisará de:
Três velas (vermelha, rosa e verde)
Quatro sementes de cariz
Quatro sementes de erva-doce
Um saquinho de chá
Três frutos de roseira
Cinco pétalas de rosa comestíveis. Se não
conseguir essas pétalas, compre água de rosas ou rosas secas em loja de ervas.
Acenda as velas e coloque-as sobre o fogão,
perto do recipiente onde o chá está sendo preparado. Ferva duas xícaras de água
de água mineral sem gás em fogo brando. Acrescente os outros ingredientes,
juntamente com o chá. Quando o chá estiver em infusão, passe as mãos pela fumaça
três vezes e concentre-se nos sentimentos de amor. Sirva-se de uma xícara e
sente-se em um lugar alegre. Se tiver uma foto da pessoa que pretende
conquistar, coloque-a num local onde possa vê-la enquanto estiver bebendo o chá.
Recite o feitiço:
Levo aos lábios esta xícara de chá
Pedindo a intervenção de Melihah
Bebo lentamente, que é melhor para deliciar
Rosa, chá e cariz
E erva-doce para no amor ser feliz.
Texto pesquisado e desenvolvido por
ROSANE VOLPATTO

Bibliografia
O Amor Mágico - Laurie Cabot e Tom Cowan
Livro Mágico da Lua - D. J. Conway
Hadas - Jesus Callejo
 

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